PERCEPÇÃO SOBRE OS SIGNIFICADOS DA ALIMENTAÇÃO DE PACIENTES COM DISFAGIA EM CUIDADOS PALIATIVOS
INTRODUÇÃO: A alimentação possui significados que ultrapassam a dimensão biológica, envolvendo aspectos emocionais, sociais, culturais e espirituais. Em pacientes com disfagia em cuidados paliativos, as limitações relacionadas à deglutição e o risco de broncoaspiração tornam as decisões sobre alimentação e hidratação particularmente complexas, suscitando discussões bioéticas relacionadas à autonomia, beneficência e qualidade de vida. OBJETIVOS: Analisar a percepção sobre os significados atribuídos à alimentação de pacientes com disfagia em cuidados paliativos na perspectiva da equipe multiprofissional de saúde, dos pacientes e de seus familiares. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório, com delineamento fenomenológico, realizado em um hospital universitário. Participaram 39 indivíduos, sendo 12 pacientes adultos e idosos com disfagia em cuidados paliativos, 12 familiares e 15 profissionais da equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos). Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas presenciais e analisados segundo a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin, com auxílio do software Atlas.ti para organização e categorização dos dados. O estudo seguiu as recomendações do guia Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). RESULTADOS: A alimentação foi compreendida pelos participantes como elemento associado não apenas à nutrição e à sobrevivência, mas também ao prazer, ao conforto, à dignidade, à identidade e ao cuidado. Identificaram-se diferenças entre pacientes, familiares e profissionais da saúde em relação aos significados atribuídos à alimentação. Houve convergência nos três grupos ao reconhecem a alimentação como valor nutricional e vital, o que reforça a compreensão da alimentação como elemento essencial para a manutenção da vida e a saúde. Por outro lado, emergiram divergências: pacientes associaram a alimentação à sobrevivência e a um motivo para viver, enquanto familiares e profissionais enfatizaram o prazer e as dimensões social e emocional do ato de comer. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os significados atribuídos à alimentação em cuidados paliativos mostraram-se plurais e, por vezes, divergentes entre pacientes, familiares e profissionais. Os achados reforçam a importância da tomada de decisão compartilhada, da comunicação efetiva e da atuação multiprofissional para a construção de planos terapêuticos individualizados e centrados nos valores e preferências dos pacientes, favorecendo o cuidado humanizado e a preservação da dignidade no final da vida.
PALAVRAS-CHAVE: Disfagia; Cuidados Paliativos; Alimentação; Bioética.
Votação encerrada.