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SEXUALIDADE NA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA DA UFPR

MATOS, Sarah Geovana Gomes de¹; BORTOLOZZI, Remom Matheus³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A sexualidade é concebida como uma experiência humana contínua e dinâmica, constituída por fatores biológicos, psicológicos, culturais e políticos. Historicamente, a ciência produziu saberes que inferiorizaram e patologizaram identidades divergentes da norma cisheteronormativa. Diante disso, resoluções do Conselho Federal de Psicologia buscam combater práticas discriminatórias. Contudo, ao analisar a formação acadêmica de profissionais de psicologia, pesquisas apontam que a temática é marginalizada nos currículos das graduações de modo sistemático. Diante desse cenário, torna-se imprescindível compreender o modo pelo qual a sexualidade vem sendo integrada aos percursos formativos em Psicologia na UFPR ao longo dos anos, considerando os aspectos ético-políticos do exercício profissional e o compromisso com a consolidação de uma atuação inclusiva e atenta à diversidade. OBJETIVOS: O presente estudo analisa as abordagens epistêmicas do conceito de sexualidade na matriz curricular do curso de bacharelado em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a partir dos ementários compreendidos entre 1980 e 2023. MATERIAIS E MÉTODO: Ancorada no referencial do construcionismo social, a investigação adota o percurso metodológico da análise documental exploratória. Mediante mapeamento, inventário e sistematização das matrizes dos anos de 1980, 1981, 1985, 2000, 2004, 2009, 2018 e 2023, investigou-se a presença de descritores de inclusão e exclusão vinculados à temática em nomenclaturas, ementas, objetivos e bibliografias. RESULTADOS: Como resultado, identificou-se um total de 36 disciplinas que abordavam a sexualidade de forma central ou periférica. Os dados indicam que o tratamento do tema ocorreu de maneira predominantemente fragmentada e desarticulada ao longo da formação. Constatou-se marcante marginalização curricular da pauta, visto que dois terços das disciplinas mapeadas se configuravam como optativas, relegando o debate à escolha individual discente. Ademais, observou-se expressivo predomínio de referenciais psicanalíticos, os quais tendem a restringir a conceituação da sexualidade ao desenvolvimento psíquico sob a ótica freudiana, secundarizando a problematização do fenômeno em suas dimensões sócio-histórica, política e interseccional. Paralelamente, leituras neurofisiológicas, clínicas e normativas figuraram pontualmente na matriz. A despeito das lacunas históricas, os dados evidenciam uma reestruturação progressiva a partir de 2018, culminando em 2023 com a inserção inédita de disciplinas voltadas especificamente a gênero, interseccionalidade e diversidade sexual. Tais mudanças articulam-se às transformações sociais contemporâneas, às pressões dos movimentos sociais, aos marcos normativos regulatórios e aos avanços jurídico-legais, como o julgamento da ADO 26. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que persiste uma lacuna formativa na IES quanto ao preparo amplo, ético e despatologizante do corpo discente, embora seja possível evidenciar um movimento lento de incorporação progressiva da sexualidade na formação a partir de referenciais interdisciplinares e comprometidos com os direitos humanos.

PALAVRAS-CHAVE: Sexualidade; Formação Psicologia; Ementário; Diversidade.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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