RASTREIO DE SINAIS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO EM CRIANÇAS DE MÃES QUE FORAM INFECTADAS PELO COVID-19 DURANTE A GESTAÇÃO (PLANO 2)
INTRODUÇÃO: Em 2020, o mundo foi acometido pela pandemia de COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, que chegou a afetar cerca de 116 milhões de gestantes em todo o mundo. Sabe-se que a exposição pré-natal a infecções virais contribui para consequências adversas na gestação e vulnerabilidade pediátrica do bebê, afetando diretamente seu desenvolvimento. Há evidências de que a ativação imunológica materna é um aspecto-chave que relaciona a infecção intrauterina a impactos pós-natais, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e doenças autoimunes, destacando a importância de se investigar como a contração do vírus pela mãe pode impactar o desenvolvimento do feto e sua ligação com diagnósticos posteriores. OBJETIVOS: Buscou-se rastrear sinais de TEA em crianças com 2 e 3 anos de idade de mães que foram infectadas pelo COVID-19 durante a gestação, em comparação a crianças filhas de mães que não foram infectadas pelo COVID-19 durante a gestação. MATERIAIS E MÉTODO: O presente estudo compõe um estudo de coorte que está sendo realizado a partir de uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Campus Londrina, e a Monash University (Melbourne/Austrália), o qual possui caráter observacional e descritivo. Foram conduzidas sessões de aplicação da escala Autism Diagnostic Observation Schedule, Second Edition (ADOS-2), instrumento amplamente reconhecido para a avaliação de condições do neurodesenvolvimento e identificação de comportamentos característicos para o diagnóstico do TEA. Essa ferramenta contém 5 módulos, dos quais o Módulo Toddler (T) e o Módulo 1 foram utilizados para a avaliação de 67 crianças de 2 e 3 anos e suas respectivas mães, avaliadas até o primeiro semestre de 2026. RESULTADOS: Os resultados até o presente momento indicaram haver maior frequência de pontuação no critério que avalia comunicação e interação social recíproca (Critério A) em comparação à presença de padrões restritivos e repetitivos (Critério B). Devido à caracterização amostral, apenas 25 participantes passaram pela avaliação nos dois módulos. Observou-se que, de forma geral, aqueles que estavam anteriormente classificados nas faixas Leve ou Moderada e Moderada ou Severa passaram a ser classificados na faixa Pouco ou Nenhum grau de preocupação, sugerindo redução do risco para diagnóstico de TEA. Discute-se que tais variações podem refletir tanto a ampliação do repertório comunicativo decorrente do desenvolvimento infantil quanto diferenças entre os módulos do instrumento, especialmente em relação à sensibilidade para distinguir atrasos maturacionais de sinais sugestivos de TEA. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Este estudo reforça a importância do rastreio precoce de sinais de atrasos no desenvolvimento, bem como de um olhar biopsicossocial, além do acompanhamento longitudinal, visto que a primeira infância apresenta uma janela de desenvolvimento importante que, quando aproveitada, pode minimizar significativamente sinais de atraso.
PALAVRAS-CHAVE: Transtorno do Espectro Autista; Desenvolvimento infantil; COVID-19; SARS-CoV-2; ADOS-2.
Votação encerrada.