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SILÊNCIO, SENSIBILIDADE E NOSTALGIA: O INDIZÍVEL E O INEFÁVEL EM AFTERSUN

LOIOLA, Lorena Silva¹; ABECHE, Daniel Pala³
Curso do(a) Estudante: Jornalismo – Escola de Belas Artes – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Publicidade e Propaganda – Escola de Belas Artes – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A depressão consolidou-se como uma urgência contemporânea que frequentemente ultrapassa os limites da linguagem verbal. No cinema, a complexidade dessas dores psíquicas pode ser traduzida para a tela através daquilo que é silenciado. É nessa fronteira que opera o filme Aftersun (2022), obra que retrata a melancolia e o isolamento de um pai sob a perspectiva das memórias de sua filha. Na narrativa, o silêncio funciona como a respiração do sentido, materializando o inefável das relações afetivas e do sofrimento humano. OBJETIVOS: A pesquisa teve como objetivo geral investigar o uso do silêncio inefável e indizível como escolha narrativa para representar o sofrimento psíquico de um personagem em estado depressivo. Como objetivos específicos, buscou-se compreender os fundamentos da Semiótica do Silêncio, analisar as manifestações dessa ausência no audiovisual e decodificar a gramática visual especificamente no objeto de estudo. MATERIAIS E MÉTODO: O percurso metodológico dividiu-se em três etapas qualitativas. Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica fundamentada na filosofia da linguagem e na Semiótica do Silêncio, abordando também a evolução narrativa da ausência sonora no cinema. Em seguida, efetuou-se um estudo de caso empírico, realizando a decupagem de sete cenas centrais do longa-metragem. Por fim, aplicou-se a análise semiótica dessas sequências estruturada pelas categorias fenomenológicas de Charles Sanders Peirce (primeiridade, secundidade e terceiridade). RESULTADOS: A decupagem e a análise teórica demonstraram que a depressão de Calum não é construída de forma declarativa, sendo projetada na estética por meio de uma constante dualidade cromática. A aplicação da tríade peirceana evidenciou que o sofrimento se manifesta em signos não verbais, como as pausas prolongadas que sucedem as falas da filha, a apatia diante do perigo e atitudes impulsivas indicativas de exaustão. Constatou-se que a obra opera no “silêncio do excesso”, em que a incapacidade de verbalizar a dor exige do espectador a decodificação do não-dito. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a escassez de diálogos explícitos sobre o quadro do protagonista não representa uma lacuna, mas sim o maior triunfo estético da produção. Ao recusar o dizer e abraçar o mostrar, a narrativa ratifica que o indizível carrega uma densidade comunicativa ímpar. O cinema consolida-se como um meio empático capaz de tornar palpável a inefabilidade da saúde mental, transformando o silenciamento em uma experiência tátil.

PALAVRAS-CHAVE: Semiótica do Silêncio; Inefável; Cinema; Aftersun; Depressão.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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