Logo PUCPR

ASSOCIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO VÍRUS DA DENGUE DURANTE A VIDA UTERINA COM O NEURODESENVOLVIMENTO A 1 ANO DE VIDA

LIMA, Maria Victória Trevisan¹; BIGNARDI, Paulo Roberto³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Câmpus Londrina
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Londrina – Câmpus Londrina

INTRODUÇÃO: A dengue é uma arbovirose de elevada prevalência em regiões tropicais e subtropicais, representando um importante problema de saúde pública devido à sua elevada incidência e às potenciais complicações materno-fetais. Embora os desfechos obstétricos da infecção durante a gestação sejam amplamente estudados, ainda são escassas as evidências sobre seus possíveis efeitos no neurodesenvolvimento das crianças das mães afetadas, especialmente em longo prazo. OBJETIVOS: Avaliar o neurodesenvolvimento de crianças cujas mães tiveram dengue durante a gestação, comparando-as com crianças não expostas ao vírus da dengue (DENV) durante o período intrauterino, bem como analisar dados antropométricos ao primeiro ano de vida e investigar a associação entre o período gestacional da infecção e o desenvolvimento infantil. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo de coorte prospectiva envolvendo gestantes expostas ao vírus da dengue durante a gestação e um grupo controle composto por gestantes não expostas no mesmo período. Foram incluídas 67 díades mãe-filho, sendo 16 expostas ao DENV e 51 controles. O diagnóstico materno foi confirmado por RT-PCR ou pesquisa do antígeno NS1. Aos 12 meses de vida, as crianças foram submetidas à avaliação antropométrica e do desenvolvimento por meio do Ages & Stages Questionnaires – Third Edition (ASQ-3), enquanto as mães responderam à Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo. As análises estatísticas foram realizadas de acordo com a distribuição das variáveis, considerando nível de significância de 5%. RESULTADOS: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto às características maternas, condições gestacionais, via de parto, depressão pós-parto ou características neonatais e antropométricas das crianças, exceto pela menor variação do perímetro cefálico entre o nascimento e o primeiro ano de vida no grupo exposto ao DENV (-1,8 cm), em comparação com o grupo não exposto, sugerindo possível comprometimento do crescimento cerebral. Na avaliação do neurodesenvolvimento pelo ASQ-3, os grupos apresentaram escores semelhantes em 3 dos domínios avaliados, incluindo Motor fino, Resolução de Problemas e Pessoal/Social, enquanto Comunicação e Motor Amplo apresentaram escores menores, porém, o valor de P não foi significativo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A exposição intrauterina ao vírus da dengue não foi associada a alterações significativas no neurodesenvolvimento aos 12 meses de vida na amostra. Entretanto, a menor evolução do perímetro cefálico observada nas crianças expostas sugere a necessidade de acompanhamento longitudinal desses indivíduos, a fim de verificar possíveis repercussões tardias no crescimento cerebral e no desenvolvimento neuropsicomotor.

PALAVRAS-CHAVE: Dengue; Gravidez; Neurodesenvolvimento; Efeitos Tardios da Exposição Pré-Natal.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.