ANÁLISE ENTRE A RELAÇÃO DA IDADE MATERNA E ANORMALIDADES GENÉTICAS
INTRODUÇÃO: A idade materna avançada, tradicionalmente definida como idade materna igual ou superior a 35 anos, tem se tornado cada vez mais frequente devido ao adiamento da maternidade. Esse fenômeno está associado ao aumento das taxas de aneuploidia embrionária, principalmente em decorrência do declínio da qualidade oocitária relacionado à idade. Nesse contexto, o Diagnóstico Genético Pré Implantacional para Aneuploidias (PGT-A) possibilita a seleção de embriões cromossomicamente normais antes da transferência em ciclos de fertilização in vitro (FIV). OBJETIVOS: Correlacionar a idade materna com as taxas de anomalias cromossômicas identificadas em embriões submetidos ao PGT-A e inferir uma faixa etária mais favorável ao planejamento reprodutivo. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal, observacional e retrospectivo, no qual foram analisados laudos de biópsia embrionária da Igenomix e registros do sistema Cryolife de pacientes atendidas na clínica Fertway entre 2023 e 2024, previamente anonimizados e organizados no sistema Project Biogenesis. Os dados foram analisados por testes do qui-quadrado, exato de Fisher e regressão logística, com cálculo de odds ratio (OR) e intervalos de confiança de 95%. RESULTADOS: Foram avaliadas 387 biópsias embrionárias de 116 pacientes entre 28 e 54 anos. Dos 384 embriões com resultado conclusivo, 247 (64,3%) apresentaram alterações cromossômicas. Nos ciclos com oócitos próprios (n = 274), a proporção de embriões alterados aumentou de 54,3% em mulheres com menos de 35 anos para 93,8% naquelas com 44 anos ou mais (p = 0,003), com aumento anual do risco de aneuploidia (OR = 1,16; IC95% 1,07–1,26; p = 0,001). Mulheres com 35 anos ou mais apresentaram razão de chances 2,40 vezes maior de gerar embriões alterados em comparação às mais jovens. Já nos ciclos com oócitos doados (n = 110), a taxa de alterações foi de 46,4% (n= 51), inferior à observada em mulheres da mesma faixa etária utilizando oócitos próprios. Em uma subamostra de 103 biópsias, confirmou-se idade média das doadoras de 29 anos, reforçando que a idade do oócito, e não da receptora, é o principal determinante da qualidade cromossômica embrionária. As alterações mais frequentes envolveram os cromossomos 22 e 15. Quase todos os embriões alterados foram descartados, enquanto 74,5% dos embriões euploides foram transferidos; o desfecho reprodutivo dessas transferências não foi analisado neste estudo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O avanço da idade materna está fortemente associado ao aumento das aneuploidias embrionárias, efeito diretamente relacionado à idade do oócito. Os achados reforçam a importância do aconselhamento reprodutivo precoce, da avaliação da reserva ovariana e da preservação da fertilidade para mulheres que pretendem adiar a maternidade.
PALAVRAS-CHAVE: Idade materna avançada; Aneuploidia; Diagnóstico genético pré-implantacional; Fertilização in vitro; Reprodução assistida.
Votação encerrada.