RELAÇÃO DOS NÍVEIS DE CITOCINAS INFLAMATÓRIOS COM OS SINTOMAS DURANTE A DENGUE EM MULHERES GRÁVIDAS
INTRODUÇÃO: A dengue é uma infecção viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, causada por diferentes sorotipos do vírus (DENV), e apresenta amplo espectro clínico, variando de quadros leves a formas graves. Durante a gestação, adaptações imunológicas maternas podem modificar a resposta à infecção viral e aumentar a vulnerabilidade do binômio materno-fetal. Como a dengue envolve a ativação de mediadores inflamatórios associados às manifestações clínicas e à gravidade da doença, a investigação do perfil de citocinas em gestantes acometidas pelo DENV pode contribuir para uma melhor compreensão da resposta imunológica nessa população. OBJETIVOS: Analisar o perfil inflamatório de gestantes com infecção por dengue durante a gestação, comparando os níveis plasmáticos de citocinas inflamatórias entre gestantes expostas e não expostas ao DENV, e avaliar a associação desses níveis com as principais manifestações clínicas observadas no período infeccioso. MATERIAIS E MÉTODO: O método empregado neste trabalho foi uma análise transversal de uma coorte prospectiva composta por gestantes expostas ao vírus da dengue durante a gestação e grupo controle. Os dados clínicos, sociodemográficos e obstétricos foram obtidos por questionário estruturado e bases da vigilância epidemiológica de Londrina e Cambé. A infecção por DENV foi confirmada por RT-PCR ou antígeno NS1. As citocinas inflamatórias foram dosadas em laboratório, e os dados analisados por testes estatísticos conforme a normalidade das variáveis, além de regressão linear para avaliar a associação entre sintomas e níveis séricos de citocinas. RESULTADOS: Foram analisadas 67 gestantes, sendo 16 expostas ao DENV durante a gestação e 51 do grupo controle. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos nas principais características sociodemográficas e clínicas. Em relação ao perfil inflamatório, as gestantes expostas ao DENV apresentaram níveis mais elevados de MCP-1 e IL-6, além de concentrações mais baixas de IL-17a e IL-8, quando comparadas ao grupo controle. Entre as manifestações clínicas, predominaram mialgia, febre, cefaleia e artralgia, e 47,8% das gestantes necessitaram de hospitalização. Na análise de regressão linear, a febre associou-se a níveis mais baixos de IL-17, enquanto a dor abdominal associou-se a concentrações mais altas de IL-6. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Considerando os aspectos apresentados, verifica-se que o presente estudo concluiu que a infecção por dengue durante a gestação esteve associada a alterações específicas no perfil inflamatório materno, especialmente envolvendo MCP-1, IL-6, IL-17a e IL-8. A elevação de MCP-1 e IL-6 sugere maior ativação inflamatória sistêmica, enquanto a redução de IL-17a e IL-8 pode refletir particularidades da resposta imunológica gestacional. A associação entre sintomas e citocinas foi restrita à febre e à dor abdominal, indicando que as manifestações clínicas da dengue em gestantes decorrem de uma resposta inflamatória complexa e multifatorial. Estudos futuros, com amostra maior, acompanhamento longitudinal e controle de variáveis clínicas e virológicas, são necessários para esclarecer a dinâmica das citocinas e sua relação com desfechos materno-fetais.
PALAVRAS-CHAVE: Dengue; Cytokines; Pregancy; Symptoms; Fever.
Votação encerrada.