“ANÁLISE EXPERIMENTAL DOS IMPACTOS DOS MICROPLÁSTICOS EM TECIDO HEPÁTICO DE SUÍNO: UMA ABORDAGEM EX VIVO”
INTRODUÇÃO: A ampla disseminação de microplásticos no ambiente e sua presença nas cadeias alimentares têm despertado preocupação devido aos possíveis efeitos sobre a saúde humana e animal. O fígado constitui um importante alvo de investigação por participar da metabolização, biotransformação e eliminação de substâncias exógenas. Entretanto, ainda são escassos os estudos que avaliam a toxicidade dos microplásticos em modelos ex vivo capazes de preservar a arquitetura e as interações celulares do tecido hepático OBJETIVOS: Avaliar os efeitos histopatológicos agudos da exposição a microplásticos de poliestireno, isoladamente e em associação ao deoxinivalenol, em explantes hepáticos suínos, bem como quantificar a intensidade das alterações por meio de um escore histopatológico semiquantitativo MATERIAIS E MÉTODO: Foram utilizados três fígados de suínos adultos, dos quais foram obtidos 48 explantes com punch de biópsia de 6 mm. Os fragmentos foram distribuídos entre os grupos controle zero hora, controle quatro horas, deoxinivalenol, microplástico e microplástico associado ao deoxinivalenol. Os explantes foram incubados em meio DMEM por quatro horas, a 37 °C e sob atmosfera controlada de dióxido de carbono. As concentrações utilizadas foram de 0,4 mg/mL de microplástico de poliestireno e 10 µM de deoxinivalenol. Após a incubação, os tecidos foram fixados em formalina tamponada, incluídos em parafina, seccionados e corados por hematoxilina e eosina. Os resultados foram analisados descritivamente por meio da comparação das médias dos escores histopatológicos entre os grupos experimentais. RESULTADOS: As médias dos escores histopatológicos foram de 5,33 no controle zero hora, 11,67 no controle quatro horas, 13,67 no grupo deoxinivalenol, 18,00 no grupo microplástico e 16,67 no grupo microplástico associado ao deoxinivalenol. A exposição isolada ao microplástico apresentou a maior intensidade média de lesão, com predomínio de desorganização da arquitetura hepática, necrose, edema e vacuolização hepatocitária. O grupo combinado apresentou maior variabilidade entre as amostras e não demonstrou agravamento uniforme em relação ao microplástico isolado CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam que os microplásticos de poliestireno podem comprometer agudamente a integridade histológica do tecido hepático suíno. O modelo ex vivo mostrou-se aplicável à investigação inicial da hepatotoxicidade, embora sejam necessários estudos com maior número de amostras, diferentes concentrações e tempos de exposição, além de análises bioquímicas, imunohistoquímicas e de estresse oxidativo.
PALAVRAS-CHAVE: Micro-plástico; Poliestireno; Fígado; Explantes; Histopatologia.
Votação encerrada.