ANÁLISE QUANTITATIVA DOS PADRÕES DE MOBILIDADE DE GÊNERO EM COMUNIDADES URBANAS E FAVELAS: O CASO DA COMUNIDADE “FAVORITA” EM ARAUCÁRIA
INTRODUÇÃO: Esta pesquisa analisa como os marcadores sociais de gênero, renda e raça/cor se intersecionam para moldar e restringir os padrões de mobilidade urbana e o direito à cidade das mulheres na periferia metropolitana. A partir de uma perspectiva interseccional, o estudo busca visibilizar as desigualdades espaciais que afetam o cotidiano feminino, superando as abordagens tradicionais de planejamento de transportes que desconsideram o trabalho de cuidado e a segregação territorial. OBJETIVOS: O objetivo principal consistiu em investigar a influência da maternidade, da faixa de renda e da cor/raça autodeclarada sobre o desempenho espacial de deslocamento das mulheres moradoras da comunidade da Favorita, em Araucária (PR), avaliado em termos de frequência e distância percorrida. MATERIAIS E MÉTODO: A metodologia baseou-se em uma abordagem mista realizada no território. A coleta de dados envolveu a aplicação de questionários sociodemográficos e o rastreamento digital via aplicativo de celular com 100 participantes voluntárias durante o mês de agosto. Após o tratamento dos dados e a adoção de critérios de consistência temporal, estabeleceu-se uma amostra válida de aproximadamente 70 mulheres. Os registros de GPS foram processados para extrair o número de viagens diárias e a quilometragem total percorrida, consolidados por meio da geração e análise visual de diagramas de caixa (boxplots). RESULTADOS: Os resultados demonstraram que a presença de filhos atua como uma âncora espacial, fragmentando a rotina em múltiplas viagens curtas (encadeamento de viagens) e confinando as mães ao próprio território. A renda familiar evidenciou o fenômeno da pobreza de transporte, no qual a restrição financeira de até um salário-mínimo limita severamente a circulação urbana. Por sua vez, a análise de raça/cor revelou um paradoxo do Sul Global: mulheres pretas e pardas realizam menor frequência de viagens, porém percorrem as maiores distâncias em quilômetros, reflexo da segregação habitacional que as empurra para as bordas periféricas distantes dos centros de emprego. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a mobilidade urbana na periferia é condicionada por barreiras estruturais invisíveis, destacando a urgência de incorporar a interseccionalidade no planejamento urbano e na formulação de políticas públicas de transporte mais inclusivas na Região Metropolitana de Curitiba.
PALAVRAS-CHAVE: mobilidade de gênero; interseccionalidade; favelas e comunidades urbanas; mobilidade urbana.
Votação encerrada.