NÍVEIS DE ATIVIDADE FÍSICA DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO: A pandemia de COVID-19 provocou importantes mudanças na rotina da população, especialmente em decorrência das medidas de distanciamento social, restrições à circulação e fechamento temporário de espaços destinados à prática de exercícios físicos, com potencial impacto sobre os níveis de atividade física (AF). Considerando os benefícios da AF para a saúde, torna-se relevante compreender os efeitos da pandemia sobre esse comportamento na população brasileira. OBJETIVOS: Analisar os níveis de atividade física da população brasileira durante a pandemia de COVID-19, considerando tanto sua prevalência quanto as alterações na prática em relação ao período anterior à pandemia. MATERIAIS E MÉTODO: Foi realizada uma revisão sistemática seguindo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Como parte de um projeto mais amplo sobre atividade física na população brasileira, foram incluídos estudos originais realizados no Brasil que avaliaram atividade física. A busca foi realizada nas bases Academic Search Premier, LILACS, MEDLINE, PsycINFO, SciELO, SportDiscus, Sports Medicine & Education Index e Web of Science. O processo de seleção envolveu remoção de duplicatas, triagem por títulos e resumos e avaliação dos textos completos segundo critérios de elegibilidade. Para a presente revisão, foram selecionados estudos publicados a partir de 2019 utilizando os termos “COVID” e “pandemia” e, posteriormente, aqueles que avaliaram prevalência de atividade/inatividade física ou alterações nos níveis de atividade física durante a pandemia. Foram extraídas características dos estudos, instrumentos, domínios, critérios de classificação e resultados. Os dados foram analisados por estatística descritiva e sintetizados qualitativamente devido à heterogeneidade metodológica. RESULTADOS: Foram incluídos 23 estudos, dos quais foram extraídos 40 desfechos de atividade física, uma vez que alguns estudos avaliaram diferentes medidas ou domínios. Houve predomínio de publicações entre 2021 e 2023 (65,2%) e de estudos transversais (91,4%). Entre os desfechos, 26 (65%) avaliaram prevalência e 14 (35%) investigaram alterações nos níveis de atividade física. O IPAQ longo foi utilizado em 35% dos desfechos e o IPAQ curto em 17,5%, sendo os instrumentos mais empregados. A atividade física global foi o domínio mais avaliado (66,7%), seguida da atividade física no lazer (27,3%). Nos estudos de prevalência, observou-se elevada proporção de indivíduos classificados como insuficientemente ativos ou inativos durante a pandemia. Entre os estudos que avaliaram alterações em relação ao período pré-pandêmico, 71,4% (10/14) relataram redução dos níveis de atividade física, 21,4% (3/14) observaram manutenção e 7,1% (1/14) identificaram aumento da prática. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As evidências demonstram elevada frequência de atividade física insuficiente na população brasileira durante a pandemia, além do predomínio da redução dos níveis de atividade física em relação ao período pré-pandêmico. A heterogeneidade dos instrumentos, critérios e domínios dificultou a comparação entre os estudos e impossibilitou uma síntese quantitativa adequada. Os achados reforçam a importância de estratégias para manutenção e promoção da atividade física em situações de restrição da mobilidade e de estudos futuros com maior padronização metodológica e delineamentos longitudinais.
PALAVRAS-CHAVE: Atividade física; COVID-19; Pandemia; Prevalência; Revisão sistemática.
Votação encerrada.