COMPORTAMENTO DA VARIABILIDADE DE FREQUÊNCIA CARDÍACA (VFC) AO LONGO DE UM CICLO DE TREINAMENTO DE 12 SEMANAS.
INTRODUÇÃO: A Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) constitui uma ferramenta não invasiva para o acompanhamento das respostas autonômicas ao treinamento esportivo, podendo auxiliar na compreensão das alterações relacionadas às diferentes fases da periodização e aos processos de recuperação OBJETIVOS: O presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento longitudinal da VFC, por meio do índice Root Mean Square of Successive Differences (RMSSD), em atletas de natação, buscando compreender as respostas da modulação autonômica às diferentes fases da periodização e sua aplicabilidade no monitoramento da carga interna de treinamento. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, longitudinal e de abordagem quantitativa, realizado com 12 atletas juvenis de meio-fundo do Clube Curitibano, sendo seis do sexo feminino e seis do sexo masculino, nascidos entre 2010 e 2011. O acompanhamento foi realizado durante oito semanas, contemplando um bloco de acumulação (S1–S3), um microciclo regenerativo (S4), um bloco intensivo (S5–S6) e um período de polimento (taper) (S7–S8). A VFC foi avaliada por meio do RMSSD, em milissegundos (ms), três vezes por semana, nas manhãs de segunda, quarta e sexta-feira, em repouso e na posição de decúbito dorsal. Para a interpretação individual das alterações, foram considerados os valores basais de RMSSD e o Smallest Worthwhile Change (SWC) de cada atleta. RESULTADOS: Os resultados demonstraram um padrão longitudinal de redução dos valores de RMSSD durante o bloco de acumulação, seguido por recuperação no microciclo regenerativo. Nova redução foi observada durante o bloco intensivo, com os menores valores concentrados principalmente na sexta semana, destacando-se o registro de 56ms para uma das atletas. A partir da sétima semana, verificou-se recuperação progressiva dos valores, com elevação durante o período de polimento. Na oitava semana, correspondente ao período competitivo, os atletas apresentaram valores de RMSSD iguais ou superiores aos registrados no início do acompanhamento. De maneira geral, os achados evidenciaram que o comportamento da VFC acompanhou as variações planejadas da carga de treinamento, com redução durante períodos de maior demanda e recuperação durante as fases regenerativa e de polimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que o monitoramento longitudinal do RMSSD possibilitou acompanhar as respostas individuais da modulação autonômica ao longo do macrociclo, apresentando potencial como ferramenta complementar para o monitoramento da carga interna, da recuperação e da prontidão competitiva em atletas juvenis de meio-fundo.
PALAVRAS-CHAVE: VFC; RMSSD; Monitoramento do Treinamento; Natação; Atletas Juvenis.
Votação encerrada.