FATORES CLÍNICOS PREDITORES DO COMPORTAMENTO SUICIDA: REVISÃO SISTEMÁTICA DE ESTUDOS DE COORTE
INTRODUÇÃO: O comportamento suicida constitui um fenômeno complexo e multifatorial, resultante da interação dinâmica entre dimensões biológicas, psicológicas, clínicas, sociais e ambientais. Embora a literatura científica reconheça múltiplos marcadores de vulnerabilidade, a identificação precisa e a mensuração de fatores associados ao risco em nível populacional e individual permanecem um desafio metodológico crítico. A mera presença de fatores associados não estabelece uma relação preditiva direta e universal, demandando investigações rigorosas sobre a real magnitude dessas exposições em diferentes contextos populacionais. OBJETIVOS: Mapear e sintetizar a literatura científica referente aos fatores de risco associados ao comportamento suicida identificados em estudos de coorte no Brasil, analisando as características das exposições avaliadas e a consistência metodológica entre as evidências disponíveis. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma revisão de escopo conduzida segundo as diretrizes do PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews). A busca bibliográfica foi estruturada em bases de dados da saúde, englobando PubMed, Embase e Web of Science, empregando combinações de descritores controlados e termos livres. A seleção dos estudos seguiu critérios rigorosos de elegibilidade, com triagem por pares e extração sistematizada de dados focada em delineamento amostral, variáveis de exposição, métodos estatísticos de ajuste e desfechos analisados. RESULTADOS: A síntese dos dados incluiu três estudos de coorte, que evidenciaram três conjuntos principais de fatores de risco: violência interpessoal e desigualdades étnico-raciais; condições clínicas, socioeconômicas e educacionais; e posição ocupacional na polícia militar. Entre esses achados, a violência interpessoal apresentou a medida ajustada mais diretamente interpretável e a maior escala amostral. Contudo, constatou-se elevada heterogeneidade metodológica, visto que nenhuma variável de exposição foi mensurada de forma equivalente em duas coortes distintas, inviabilizando a determinação de um fator de risco universal. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados da revisão demonstram que a estimativa e a manifestação do risco dependem intrinsecamente da população estudada, da fonte de dados utilizada, da definição teórica do desfecho e do tempo de acompanhamento estabelecido pelos pesquisadores, evidenciando a ausência de marcadores universais e a forte dependência do contexto metodológico.
PALAVRAS-CHAVE: Suicídio; Fatores de Risco; Estudos de Coorte; Heterogeneidade Metodológica; Revisão de Escopo.
Votação encerrada.