IMPRENSA PARANAENSE E REPRESENTAÇÕES SOBRE A MULHER NA SEGUNDA METADE DO SECULO XX (1969/1970)
INTRODUÇÃO: Esta pesquisa dá continuidade ao trabalho desenvolvido sobre a primeira metade do século XX. O estudo anterior analisou as representações da mulher encontradas no Jornal Dário da Tarde, um periódico de ampla circulação no Paraná, de viés conservador, fundado por Estácio Correia e que esteve em circulação em Curitiba de 1899 a 1975. As representações são compreendidas como a forma pela qual os indivíduos assimilam os conteúdos das matérias do jornal e, nesse processo de assimilação, elas são formadas de maneira não assistemática (Chartier, 1991; Campos, 2012). OBJETIVOS: O objetivo é examinar como a mulher é representada na imprensa paranaense na segunda metade do século XX, nos anos de 1969 e 1970, para identificar possíveis mudanças ou permanências nas representações. Objetivos específicos: a) realizar uma revisão da literatura com o intuito de aprofundar a pesquisa. b) analisar as matérias jornalísticas extraídas dos Jornais Diário da Tarde, que abordam temas relacionados à mulher, buscando entender as representações construídas sobre ela nesse período. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada na perspectiva da História Cultural e da História das Mulheres. As informações foram coletadas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, de onde foram selecionadas matérias com enfoque feminino e organizadas em pastas de acordo com os temas. Foram examinadas 501 edições desse jornal, resultando em 920 dados: 339 relacionados a violências; 62 sobre educação; 103 referentes a propaganda; 242 sobre cultura; e 174 imagens de sexualização RESULTADOS: Os resultados revelam a predominância de notícias sobre mulheres associadas à violência, conforme os dados da pesquisa da primeira metade do século. A cultura aparece como a segunda categoria mais frequente, especialmente relacionada ao cinema, através da divulgação de filmes e peças teatrais. Imagens de mulheres sexualizadas estão presentes em várias edições do jornal, caracterizadas pela utilização de roupas diminutas e exposição do corpo. Essas formas de representação revelam concepções sobre o feminino, que contribuem para a perpetuação histórica de como a sociedade percebe a mulher. CONSIDERAÇÕES FINAIS: imprensa teve um papel estratégico na construção e na reprodução de discursos que reforçavam e naturalizavam a violência contra a mulher e as desigualdades de gênero, as quais estão profundamente enraizadas na sociedade brasileira. Ao divulgar casos de assassinatos e estupros, por exemplo, o jornal ajudou a perpetuar uma visão patriarcal que diminui a autonomia feminina e sublinha sua posição subalterna.
PALAVRAS-CHAVE: Imprensa na imprensa; Educação; História da Educação; Representações sobre a mulher; História das Mulheres.
Votação encerrada.