TÉCNICA COMO ESTRUTURA ONTOLÓGICA DE MUNDO A PARTIR DE MARTIN HEIDEGGER
INTRODUÇÃO: O presente relatório final consolida a investigação filosófica acerca da essência da técnica no pensamento de Martin Heidegger, compreendendo-a como o horizonte ontológico que estrutura a realidade contemporânea. O cerne da pesquisa reside no deslocamento da definição tradicional da técnica restrita ao âmbito instrumental (meios para fins) e antropológico (fazer humano) para uma perspectiva propriamente ontológica. Observa-se a transição histórica da técnica clássica (techné), operando em harmonia com a poiésis como um modo de “trazer-à-frente” (Her-vor-bringen), para a técnica moderna, cujo traço fundamental é o desafiar (Herausfordern). Através da análise rigorosa da conferência de 1953, “A Questão da Técnica”, a investigação evidencia como o desocultamento moderno exige da natureza o fornecimento de energia suscetível de ser extraída e estocada, consolidando o estatuto da reserva disponível (Bestand). Nesse cenário, a realidade deixa de ser contemplada em sua autonomia para ser enquadrada pela armação (Gestell), a infraestrutura metafísica que organiza o mundo sob a lógica da eficiência e do cálculo. Conclui-se que a técnica moderna não é um fenômeno neutro, mas a consumação da metafísica ocidental e o destino epocal que bloqueia outras formas de verdade (alétheia), impondo a necessidade de o Dasein alcançar uma postura de serenidade frente às provocações do mundo técnico. OBJETIVOS: Aproximar o pesquisador com a Filosofia da Técnica, promovendo uma compreensão da realidade tecnológica contemporânea por meio de um conjunto estruturado de teorias, estabelecido pelo filósofo alemão Martin Heidegger, a partir da premissa de que a técnica moderna, conforme apresentada pelo filósofo, é um modo de destino da estrutura ontológica do mundo. MATERIAIS E MÉTODO: Esta pesquisa possui natureza teórica e fundamentou-se exclusivamente no método de pesquisa bibliográfica qualitativa e analítica, visando uma análise conceitual sistemática sobre o objeto de estudo para identificar como a realidade tecnológica contemporânea pode ser compreendida a partir das categorias estabelecidas pela filosofia da técnica. O material principal de estudo foi a conferência “A Questão da Técnica” (1953). Como fontes de apoio para a interpretação dos conceitos, contextualização do tema e construção do estado da arte, foram utilizados livros e artigos científicos de comentadores autorizados que discutem a transição para o mundo maquinístico. RESULTADOS: A discussão dos resultados obtidos demonstra que a analítica heideggeriana da técnica oferece um referencial crítico indispensável para a reflexão sobre a cultura contemporânea. Conforme demonstrado ao longo do desenvolvimento teórico, a técnica moderna não pode ser compreendida como um simples instrumento sob a regência da soberania humana. A convicção ingênua de que o homem possui o controle absoluto das tecnologias, oculta o fato de que a própria subjetividade humana encontra-se desafiada e moldada pela armação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A pesquisa demonstrou que a transição da techné clássica (vinculada à poiésis e ao desocultamento cuidadoso) para a técnica moderna representa uma mudança radical no modo como o real vem à presença. Regida pelo desafiar e pela armação, a época técnica tende a remodelar a natureza e o ser humano sob a categoria de reserva disponível, impondo a lógica do cálculo e da eficiência irrestrita.
PALAVRAS-CHAVE: Martin Heidegger; Filosofia da técnica; Ontologia; Gestell; Fenomenologia.
Votação encerrada.