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ARTAUD, O ESTRANHO E O PERVERSO COMO POTÊNCIA ESTÉTICA DA DIFERENÇA EM DELEUZE

ASSIS, Breno Albano¹; BUENO, Paulo Henrique Rizote³
Curso do(a) Estudante: Artes Visuais – Escola de Belas Artes – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): PPGF – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A ontologia da diferença do filósofo pós-estruturalista Gilles Deleuze recusa a repetição entendida como cópia e afirma a diferença como potência produtiva, anterior à identidade. Essa formulação encontra no teatro de Antonin Artaud um interlocutor privilegiado: o projeto artaudiano de um teatro da crueldade rompe com a sujeição da cena ao texto e desloca a criação para o corpo, propondo uma linguagem que não representa, mas age. A aproximação entre os dois autores permite pensar a diferença não apenas como conceito filosófico, mas como potência estética concreta, manifesta na experiência artística do corpo, do estranho e do perverso. OBJETIVOS: Investigar de que modo os elementos inovadores da obra teatral de Antonin Artaud dialogam com o conceito de diferença desenvolvido por Gilles Deleuze, contribuindo para a elaboração de uma concepção estética da diferença. Especificamente, apresentar os elementos artaudianos em que se interpretam o estranho e o perverso; compreender a ontologia da diferença na obra deleuziana; e definir a junção entre os conceitos dos dois autores. MATERIAIS E MÉTODO: Pesquisa básica, de abordagem qualitativa e base inteiramente teórica, conduzida por meio de levantamento bibliográfico e do método dedutivo. O material reúne duas frentes: as obras dos autores centrais, Antonin Artaud e Gilles Deleuze, e a bibliografia complementar de comentadores dedicados a suas teorias. RESULTADOS: O percurso indicou que a recusa artaudiana da linguagem de superfície, exemplificada na crítica a Lewis Carroll, opera como critério: há produção diferencial quando a criação passa pelo corpo e desfaz a organização que o fixa, e não quando apenas multiplica sentidos no plano do texto. A figura do esquizo, tal como formulada por Deleuze e Guattari, mostrou-se coincidente com a autodescrição do poeta, e o corpo sem órgãos revelou-se o suporte material dessa produção, do qual o teatro da crueldade constitui a efetuação cênica. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estranho e o perverso cumprem funções assimétricas nessa economia conceitual: o primeiro é potência positiva de criação, enquanto o segundo delimita, por contraste, o regime em que a diferença se produz. A pesquisa conclui que o teatro da crueldade não ilustra a filosofia da diferença, mas a efetua, e oferece ao campo teórico-artístico um critério para distinguir criação diferencial de mera variação formal.

PALAVRAS-CHAVE: Antonin Artaud; Gilles Deleuze; Estética da diferença; Teatro da crueldade; Corpo sem órgãos.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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