COMPARAÇÃO ENTRE A METODOLOGIA EPAS E O MODELO TRADICIONAL NO INTERNATO MÉDICO: UM ESTUDO QUALI-QUANTITATIVO DA PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES.
INTRODUÇÃO: A formação médica tem passado por importantes transformações, com crescente adoção de metodologias baseadas em competências, que buscam aproximar o processo de ensino das demandas da prática profissional. Nesse contexto, as Entrustable Professional Activities (EPAs) representam uma estratégia voltada ao desenvolvimento progressivo de competências clínicas por meio da realização de atividades profissionais confiáveis, favorecendo maior autonomia, feedback contínuo e inserção ativa dos estudantes nos cenários de prática. Apesar de seu potencial, ainda são escassos estudos que avaliem a percepção dos estudantes sobre sua implementação durante o internato médico. OBJETIVOS: Analisar a percepção dos estudantes de medicina sobre o desenvolvimento de competências durante o internato, comparando a metodologia baseada em EPAs, utilizada no estágio de Ginecologia e Obstetrícia, com a abordagem tradicional de ensino adotada nos demais rodízios, bem como avaliar seu impacto no desenvolvimento de habilidades clínicas, tomada de decisão, autonomia, confiança e identificar facilidades e desafios relacionados ao processo de aprendizagem. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo, com abordagem de métodos mistos, realizado em uma instituição de ensino superior de Curitiba, Paraná. A etapa quantitativa foi conduzida por meio da aplicação de um questionário estruturado com escala Likert a estudantes que concluíram o internato de Ginecologia e Obstetrícia nos anos de 2024 e 2025. A etapa qualitativa foi realizada por meio de grupos focais, cujos depoimentos foram submetidos à análise de conteúdo proposta por Bardin. Participaram do estudo 76 estudantes na etapa quantitativa e 10 estudantes na etapa qualitativa. RESULTADOS: Os estudantes perceberam a metodologia baseada em EPAs como mais efetiva do que a abordagem tradicional para o desenvolvimento de habilidades clínicas, tomada de decisão, autonomia e confiança na prática médica. O modelo também foi associado à maior inserção dos estudantes em consultas e procedimentos, à organização do processo de aprendizagem por meio de metas e ao feedback contínuo dos preceptores. Entretanto, a análise qualitativa evidenciou desafios importantes relacionados à sua implementação, incluindo limitações estruturais, heterogeneidade da preceptoria, disponibilidade desigual de oportunidades práticas, dificuldades enfrentadas por estudantes do sexo masculino em atendimentos ginecológicos e efeitos indesejáveis do sistema de metas, como ansiedade, pressão e competitividade entre os estudantes CONSIDERAÇÕES FINAIS: A metodologia baseada em EPAs foi percebida pelos estudantes como uma estratégia mais efetiva do que a abordagem tradicional, durante o internato médico, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de autonomia, habilidades clínicas e participação prática. Contudo, sua efetividade depende de condições institucionais adequadas, investimento na capacitação docente e organização dos cenários de aprendizagem, evidenciando que a consolidação do ensino baseado em competências requer não apenas mudanças nos processos avaliativos, mas também transformações estruturais e culturais no ambiente de formação médica.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Médica; Educação Baseada em Competências; Internato e Residência; Competência Clínica; EPAs.
Votação encerrada.